Nas últimas semanas a PEC das domésticas (Proposta de emenda da constituição), foi manchete em toda a imprensa. Afinal, a mudança na lei irá trazer profundas transformações na sociedade brasileira.
Apesar do transtorno causado na classe média nesse primeiro momento, não deixa de ser uma evolução, pois país desenvolvido ou em desenvolvimento, que é o caso do Brasil, não pode ter um trabalhador de segunda categoria, pois é assim que o empregado doméstico é visto em nosso país.
São resquícios da escravidão que, aos poucos, vão desaparecendo, ainda somos jovens, só temos quinhentos e poucos anos.
O melhor de tudo isso é que toda a sociedade cresce. Quem precisar de uma doméstica em tempo "integral" terá que arcar com os custos de acordo com a lei , as domésticas, por sua vez, a partir de agora terão que se qualificar, pois o empregador vai ficar mais exigente, e as famílias da classe média brasileira que não puderem bancar esse profissional terão que mexer na sua estrutura doméstica.
Desde que nascem, as crianças são acostumadas a ter alguém para arrumar a sua bagunça e vão crescendo sem a mínima noção de como se arruma uma cama, se coloca uma mesa, se lava um prato, se cuida de um jardim, etc, quem sabe agora essas crianças terão a felicidade de ficar mais tempo com as suas mamães e menos tempo com as babás? Mais creches irão surgir, mais abrigos decentes para idosos vão aparecer e as próprias domésticas poderão se qualificar, se organizar e criar frente de trabalho onde serão mais valorizadas e reconhecidas.
Como toda crise gera oportunidades, não será difícil equacionar esse problema, afinal estamos no país dos empreendedores.
A única pulguinha que fica atrás da orelha é o comportamento do judiciário, infelizmente o que não falta em nosso país é advogado oportunista e juiz de conduta duvidosa.